A partir do 20 de Março do 2020 e pelo Decreto 297/20 todo o pais ingreso num período de

isolamento social, preventivo e obrigatório.

¿Qué significa?

Você não pode sair da casa ou alojamento na cidade apenas para se fornecer dos artigos

essenciais como alimentos, artigos de limpeza e medicamentos.

Se você não cumpre as normas, comete um delito.


No caso de ter viajado para um pais onde o virus circula ou tiveste contato com

pessoa doente, você deve ficar por 14 dias isolado.

Se você tambem tiver algum dos sintomas, ligue gratis à 107.


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Uma bomba que explode a cada segunda-feira
Há uma década um grupo de percussionistas faz das segundas um clássico do Konex.
"Cara, você tem que ir a bomba de tiempo no Konex", "quando viajar a Buenos Aires você não pode deixar ir ver a bomba de tiempo", "fui ao Konex quando tocou a bomba de tiempo e foi incrível", frases como estas não pararam de chegar dos meus amigos quando viajaram para Buenos Aires. Sabia que não podia deixar de ir, as motivações e recomendações para fazer isso eram muitas.
 
(Agustín Suarez - Fotógrafo, Experiencia BA)

No Konex

Foi então que, numa das minhas primeiras segundas-feiras na cidade peguei minha câmera e minha mochila, sai para pegar o subte B, descer na estação Carlos Gardel e chegar alguns minutos antes de começar a festa. O show iniciava às 20h, se notava a ansiedade do público, então sabia que estava no lugar certo, na hora certa e com as pessoas indicadas para viver uma experiência que daria no que falar.

Os percussionistas

Entre aplausos, ovações e pessoas que chegavam cada vez mais perto do palco apareceram 14 caras vestidos de vermelho, sem dizer uma palavra e de uma forma tranquila começaram os primeiros batuques nos parches dos tambores que os acompanhavam. É um espetáculo que já cumpriu sua primeira década e é um clássico de todas as segundas-feiras. O ritmo começa a soltar o corpo; nos obrigando a entrar em um ritual de danças improvisadas. As pessoas que estão ao seu redor são o elemento que completa o círculo, pois entendi que se não fosse por elas, a experiência não teria sido a mesma, a dança nos contagiava, nos unia e nos fazia compartilhar.

Senti que na medida que o tempo passava, os músicos aumentavam a intensidade de seus ritmos fazendo subir a temperatura e o bom astral. Pude saciar a minha sede provocada pelo movimento e o calor dos corpos com uma cerveja bem gelada. Na metade do show um trompetista chegou ao palco para agregar outro tom ao ritmo que já marcavam os instrumentos de percussão.

A festa durou duas horas, nas quais passaram tão rápido que não podia acreditar que já tinha terminado. Os músicos se foram, mas não por muito tempo, respondendo aos clássicos gritos de "toca outra" ou "uma a mais e não incomodamos mais", voltaram a pisar no palco com toda a energia e nos deram vários minutos a mais de música, nos quais aproveitei ao máximo usando todas minhas reservas de energia para dançar um pouco mais. Chegou o fim, nos despedimos com aplausos, risadas e gritos.

O final

Ao sair da Ciudad Konex e com um sorriso de orelha a orelha descobri que não era hora de voltar. Em plena rua, outro grupo de percussionistas nos esperavam enquanto partiam as mãos ao tocar e, não tinha melhor ideia do que apoiá-los ao se entregar aos batuques e voltar a mexer o corpo. Havia muita gente, os carros não podiam passar, nos buzinavam, alguns bravos, outros não se importando muito e com vontade de participar. Meu corpo já notava o cansaço, mas não importava, impossível era deixar de dançar. Começamos a andar pelas ruas do Abasto dançando, rindo, compartilhando, éramos todos amigos.

Um tempo depois senti que já era hora de voltar, minhas pernas me pediam a gritos para eu me sentar. Que maneira de começar a semana! Voltei para a estação Carlos Gardel revivendo mentalmente tudo que tinha acontecido. Agora sim posso dizer que vim a Buenos Aires e não me privei de ver a bomba de tiempo. Tudo superou minhas expectativas, vou voltar quantas vezes possíveis e me perder nos sons dos tambores.

Escrito por Agustín Suárez.


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