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isolamento social, preventivo e obrigatório.

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essenciais como alimentos, artigos de limpeza e medicamentos.

Se você não cumpre as normas, comete um delito.


No caso de ter viajado para um pais onde o virus circula ou tiveste contato com

pessoa doente, você deve ficar por 14 dias isolado.

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Descobrindo o desconhecido de La Boca
Um relato de um passeio com estórias curiosas.

Um dia decidi visitar o bairro de La Boca. O itinerário seria o típico de quem decide dar umas voltas por essas bandas da cidade. Primeiro, iria à sede de seu time de futebol, para, depois andar pelo seu famoso museu a céu aberto.

Já no caminho de ônibus, pude notar vestígios de uma aristocracia, com casas e prédios antigos que refletiam, em sua época, certo esplendor. Não pude deixar de pensar que por causa de uma epidemia de febre amarela, esses lugares tornaram-se esqueletos até serem habitados pelos imigrantes que conseguiram caracterizar o bairro no que ele é hoje. Mal sabia eu que esse simples passeio iria se tornar em um descobrimento de seu lado desconhecido.

O projeto ambicioso de Boca Juniors

A primeira parada foi o estádio de La Bombonera. Desci do ônibus e caminhei umas duas quadras até chegar ao destino. Todo o complexo por si só já vale a visita, mas como a curiosidade sempre ganha o melhor de mim, comecei a conversar com um segurança do local. Perguntei-lhe sobre o estádio, o clube e, no meio dessa conversa, para a minha surpresa, ele me contou do projeto ambicioso do então presidente Alberto J. Armando na década de sessenta.

Tratava-se de uma cidade esportiva ao lado da Costanera Sur. O terreno foi um projeto com sete ilhas artificiais para diversos esportes, além de opções de entretenimento como uma confitería, parques de diversões, anfiteatro e até mesmo setores de camping. O clube tinha o prazo de 10 anos para completar a obra, mas devido à política, falta de verba e hiperinflação não conseguiu ser concluído. Sai de lá estupefata com esse dado, mas impressionada com a infra-estrutura do lugar, não poderia imaginar como seria se esse projeto tivesse sido concluído.

A lenda dos duendes de La Boca

Ao caminhar de volta as mesmas quadras para pegar o ônibus novamente na avenida principal, notei um belo prédio com uma torre na esquina oposta. Entrei na fila da parada de ônibus atrás de uma senhora, que comecei a conversar e, logo lhe perguntei sobre o edifício em que nós duas víamos. Segundo ela, moradora do bairro, ele é conhecido por ser a “torre dos fantasmas”, pois barulhos estranhos sempre vêm do local.

Ela me contou que tudo começou no início do século XX quando uma moça comprou o terreno e construiu o prédio que foi alugado para artistas, entre eles, Clementina no seu último andar. Certo dia, essa artista decidiu mostrar suas obras para uma jornalista, que tirou fotos e ao revelá-las duendes apareciam nelas. Dias depois, Clementina se atirou e morreu. Porém, a dona afirmou que a artista não pulou e que foi empurrada pelos duendes que moram na torre, pois eles vieram com os móveis que comprou. Com essa estória dos duendes na cabeça, o ônibus chegou.

A República de La Boca

Depois de ter deixado o misticismo para trás, finalmente cheguei ao começo do Caminito, só teria que andar alguns metros. Decidi atravessar a rua para ficar perto das margens do rio. No outro lado da rua percebi um campo de futebol com as letras bem grandes e coloridas que dizia: “República de La Boca”. Será que La Boca já foi uma república? Não pude deixar de averiguar e comecei a perguntar nas redondezas.

Segundo alguns moradores, o bairro se tornou república por um curto período de tempo em 1876, devido a um conflito sindical entre os extremistas genoveses que, até mandaram uma carta ao então rei da Itália. Entretanto, há outros que me contaram que é o nome dado a associação de moradores que foi criada no começo do século passado e que já teve três gerações. Também reuniu ilustres membros, como os famosos artistas do bairro. Acho que acredito mais na segunda versão contada desta República, por mais que a primeira seja mais romântica.

O colorido dos cortiços

Sem perceber, entretida com o papo, me deparei com o Caminito. O engraçado é que você sempre sabe quando chega, pois além do colorido de suas casas de zinco e bonecos, há também um agito com artesanatos e dançarinos de tango nos restaurantes. Queria conhecer de perto e comprar algumas lembrancinhas. Durante a prosa com os lojistas acabei ouvindo algumas “teorias” sobre a razão das cores dessas casas populares.

Me contaram que normalmente, os donos desses lugares pediam como forma de pagamento as sobras das tintas dos barcos para pintar as suas casas. Por outro lado, outro lojista afirmou que essa estória é mito e que, na verdade, os cortiços são coloridos porque Benito Quinquela Martín queria transformar uma parte abandonada da cidade em um museu em 1959. Neste caso, o Caminito e, essa tradição se espalhou pelo resto do bairro.

Ao juntar todas essas informações, definitivamente não esperava que um simples passeio por este bairro se transformaria em descobrir outro lado que, normalmente é desconhecido. Aproveite você também para percorrer La Boca.